Ponhamo-nos

Paris, França | 27 de dezembro de 2025

Finais de tarde
são os pássaros que retornam
para dentro de nós.

Rascunho: 2018 • São João del-Rei, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2025 • Paris, França

Fantasmas, IV

Rascunho: 2020 • Caldas, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2025 • São Paulo, Brasil

Fantasmas, III

Rascunho: 2020 • Caldas, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2026 • Lisboa, Portugal

Um repouso dos ossos vivos

Maras, Peru | 23 de junho de 2026

Um devaneio é um repouso dos ossos vivos: uma sepultura mansa e arejada no coração de uma montanha que se inventa. Uma montanha que se constrói aos poucos, mentalmente, em meio à azáfama dos minutos que se atropelam. Dos minutos que se matam. Dos que precisam de uma sepultura mansa e arejada — no coração da montanha que ajudam a inventar.


Rascunho: 2022 • Caldas, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2026 • Maras, Peru

Cajado de Éolo

Caldas, Brasil | 24 de dezembro de 2024


O sonho que algodoa as nuvens:
livrarem-se enfim do vento
num desvio ao próprio sopro
e domando o próprio tempo.

Rascunho: 2022 • Caldas, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2024 • Caldas, Brasil

Chuviscos

Rascunho: 2021 • Caldas, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2026 • Lisboa, Portugal

Um só novelo

Rascunho: 2023 • São Paulo, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2026 • São Paulo, Brasil

Fantasmas, II

Rascunho: 2018 • São João del-Rei, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2024 • São Paulo, Brasil

Fantasmas, I

Coimbra, Portugal | 21 de fevereiro de 2026

Há sempre algum cachorro latindo
para algum fantasma.
Há sempre algum fantasma.

Rascunho: 2020 • Caldas, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2026 • Coimbra, Portugal

O interior das montanhas

Caldas, Brasil | 27 de junho de 2025


As tardes caem suaves como lençóis em corpos febris. A silhueta dos marrecos corta o azul baço do fim do dia e seus gritos lembram lagoas longínquas... Lagoas por trás das montanhas — onde não sabemos que mais há, já que sempre podemos escalá-las, mas raramente o fazemos. O interior das montanhas todos conhecem: às vezes guardam dragões que guardam tesouros de anões míticos, às vezes guardam corações ancestrais batendo já fracos, às vezes guardam apenas o cansaço imenso que é desdobrar um corpo imenso de dentro da terra. A lava no fundo da terra esquentou as montanhas e é o seu mito mais longínquo. As montanhas vivem febris, de febres longínquas. De lagoas longínquas nascem os marrecos que somem tão logo cortam o horizonte. Tudo é sonho. Tudo é delírio febril.

Rascunho: 2022 • Caldas, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2025 • Caldas, Brasil

Repausas

Rascunho: 2021 • Caldas, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Desenhos: 2025 • São Paulo, Brasil

Precauções

Como a Maria dos contos,
despedacei pão pelos caminhos
(mas foi para saber
por onde não voltar).

Caldas, Brasil | 27 de junho de 2025
Rascunho: 2018 • Caldas, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2025 • Caldas, Brasil

O resquício-fantasma

Campos do Jordão, Brasil | 24 de junho de 2025

Rascunho: 2021 • Caldas, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografias: 2025 • Campos do Jordão, Brasil

Questionabilidade dos paraísos

Rascunho: 2026 • Lisboa, Portugal | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Aquarelas: 2026 • São Paulo, Brasil

Pangeia

São Paulo, Brasil | 22 de maio de 2025

A manhã de domingo, se chove, tardifica os ânimos e leva-nos à primeira formação do corpo, quando o percurso da água nos moldava e a alma nos vinha fácil, sem precisar de café. Chove em julho, em pleno inverno ― estranho como uma boa vontade em plena segunda-feira. Caem de tão grande distância as gotas da garoa, tão longa travessia em busca de um chão que queriam próprio mas cujo asilo só dura o tempo da evaporação. A terra parece xenófoba por natureza, estrangeirando até si mesma: é o mar que aplaca as distâncias entre os continentes que um dia foram um, mas que se rejeitaram mutuamente. Bebo mais café do que deveria para aplacar a distância entre meu corpo e minha alma. Garoa manso lá fora. Quando vemos o percurso vertical da água, pensamos uma esperança temporária como a das semanas que se iniciam.

Rascunho: 2023 • São Paulo, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2025 • São Paulo, Brasil

Criadora

Larissa Fonseca e Silva, 1998. Artista entre teceres e textos, doutoranda em Literatura Portuguesa (USP). "Crio com as pontas dos dedos, no raio do sol vejo a magia da poeira e sei que há sentido no decompor das coisas pois até os resquícios dançam". Registro aqui.