As tardes caem suaves como lençóis em corpos febris. A silhueta dos marrecos corta o azul baço do fim do dia e seus gritos lembram lagoas longínquas... Lagoas por trás das montanhas — onde não sabemos que mais há, já que sempre podemos escalá-las, mas raramente o fazemos. O interior das montanhas todos conhecem: às vezes guardam dragões que guardam tesouros de anões míticos, às vezes guardam corações ancestrais batendo já fracos, às vezes guardam apenas o cansaço imenso que é desdobrar um corpo imenso de dentro da terra. A lava no fundo da terra esquentou as montanhas e é o seu mito mais longínquo. As montanhas vivem febris, de febres longínquas. De lagoas longínquas nascem os marrecos que somem logo cortam o horizonte. Tudo é sonho. Tudo é delírio febril.
Rascunho: 2022 • Caldas, Brasil | Edição: 2026 • São Paulo, Brasil | Fotografia: 2025 • Caldas, Brasil