Corpo cassândrico

O tempo se contamina com a doença do próprio tempo. Eu vejo a medida das estações, em que dezembro é o terceiro terço da primavera (em que o verde é mais verde e escorre em chuva). Vivo na cidade, mas nunca fui urbana... Meu pensamento isolado do corpo vive isolado no alto de uma colina e pensa na pena que é um corpo-mulher nascido aqui. De lá pensa meu pensamento que a liberdade é uma ilusão que escorre como El sueño de Dalí. E o que sustenta a ilusão não são estacas e sim o sonho que vem dentro do sono como os gregos no cavalo de Troia (os sonhos mais falsos que Sínon ou Odisseu). A cada vez que o sono se acorda de um sonho na assembleia das manhãs, o corpo cassândrico sabe... O corpo cassândrico sabe que a morte se esconde no próprio corpo.

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Criadora

Larissa Fonseca e Silva, 1998. Nascida em Caldas, no sul de Minas Gerais, crescida dentre livros e montanhas. Mestra em Teoria Literária e Crítica da Cultura pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e doutoranda em Literatura Portuguesa na Universidade de São Paulo (USP). "Crio com a ponta dos dedos, no raio do sol vejo a magia da poeira e sei que há sentido no decompor das coisas pois até os resquícios dançam." Registro e guardo aqui.