De dezembro os dias

Vêm de dezembro os dias com sinos e culpas, o berço evocando a morte, o pinheiro lembrando o machado. As luzes no cimo dos postes têm uma nota triste de promessa não cumprida; e cai a chuva, e cai uma canção cansada deitando no asfalto molhado e prevendo o outro cansaço do retorno ao céu. Os dias cinzentos vestem de cinzento o ano já velho, o ano estreando um terno que cheira a guardado, o ano ainda esperando a grande ocasião para um grande feito, para uma grande veste, um grande funeral. Vêm de dezembro os dias piscando e piscando em luzes de alerta. Belos, como sempre.

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Criadora

Larissa Fonseca e Silva, 1998. Nascida em Caldas, no sul de Minas Gerais, crescida dentre livros e montanhas. Mestra em Teoria Literária e Crítica da Cultura pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e doutoranda em Literatura Portuguesa na Universidade de São Paulo (USP). "Crio com a ponta dos dedos, no raio do sol vejo a magia da poeira e sei que há sentido no decompor das coisas pois até os resquícios dançam." Registro e guardo aqui.